Ao participar de um evento da organização Esfera, que reúne empresários, empreendedores e classe produtiva ao lado do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na segunda-feira, 23, o presidente do União Brasil e da Federação União Progressista, disse que o fato de a proposta da escala de trabalho 6×1 ser apresentada no ano de eleição “tem por finalidade colher dividendo eleitoral”.
Rueda ressaltou que o projeto é muito danoso para a economia e para o setor produtivo e que o impacto dele recairá sobre o consumidor final. “Será necessário ter perspicácia dentro da boa política e do diálogo”, porque o parlamentar que é candidato à reeleição terá dificuldade de votar contra. O dirigente do União Brasil também incentivou a participação dos empresários presentes ao evento. Sugeriu que eles conversem com deputados e líderes partidários para que eles entendam o impacto da mudança de escala.
Durante o encontro, Rueda respondeu a diversas perguntas da mediadora e da plateia.
Campanha eleitoral
Na avaliação do presidente da federação União Progressista, a eleição presidencial será muito acirrada e polarizada entre a esquerda e a direita. “O Flávio (Bolsonaro) consolidou muito e o Lula também. Então, hoje, para mim, essa eleição é de quem errar menos”. Rueda acredita em uma “campanha leve, como o Flávio hoje está fazendo, mostrando realmente que não vai olhar para trás, que quer unir o país”.
Federação União Progressista
“A federação tem muito a contribuir. Quando você faz a radiografia dessa federação, há uma força muito grande, são 109 deputados, são 14 senadores. Vamos lançar 28 candidaturas ao Senado. Temos 12 candidaturas ao governo.”
Judiciário
“Você tem uma discussão muito ativa entre Executivo e Legislativo e novamente o Judiciário vai ocupando um espaço que não é dele. Eu acho que tem que ter um equilíbrio, está na Constituição.”
“Existem alguns exageros que têm que ser modulados. Não tem sentido o Judiciário estar legislando. Da mesma forma, não pode o Legislativo julgar. Então, o que eu acho é que a gente tem que buscar nessa eleição a ponderação e a moderação. E esse é o papel do Centro. O Centro sempre veio para resolver isso. Quando teve problema com a Dilma, o Centro foi lá e resolveu. Quando teve problema com o Collor, o Centro foi lá e resolveu. E esse é o nosso papel. É a gente tentar mediar o diálogo, o bom diálogo para que a gente possa voltar a uma situação de normalidade.”
Dias Tóffoli
Sobre a nota divulgada, em conjunto com o PP, no início de fevereiro, em apoio ao ministro do STF Dias Tófolli após sua saída da relatoria do Banco Master, Rueda reconheceu que politicamente ela trouxe desgaste, mas explicou: “Eu sou jurista, advogado desde 1997, milito na área há quase 30 anos, e como advogado eu tenho que defender a Constituição. Essa questão do STF, a exposição midiática que está acontecendo, nunca aconteceu na história do Brasil. Eu defendo não só o ministro Toffoli, mas todos. O princípio da ampla defesa é a todos facultado.”
”A informação errada chega muito rápido”, é preciso “ter muito cuidado, tem que ter muita ponderação”. Rueda concluiu dizendo: “Vou continuar a defender o STF, vou continuar a defender o Legislativo, vou continuar a defender as instituições”.
Economia
Comparando com o período do final do governo Dilma, “o país estava quebrado, morto”, Rueda disse que a condição é muito melhor. “Com pequenos ajustes, e eu falo pequenos ajustes mesmo, você vai poder diminuir a taxa de juro. O Brasil hoje tem como ajustar suas despesas. O país é muito forte, é um país que produz, um povo trabalhador, um povo empreendedor.
Quando você imagina que todo mundo aqui está vivendo com uma taxa de juros de 15%… Olha que disposição nós temos de investir nesse país, de poder produzir. Então, eu tenho essa convicção de que com pequenos ajustes a gente vai ter um país diferente na próxima eleição. A gente vai entrar em 2027 com uma condição que talvez nunca tivemos.”
Tecnologia
Defensor do uso da tecnologia, Rueda criticou a ineficiência do governo nesse aspecto e ressaltou o potencial do país. “ Hoje com a IA, a gente consegue fazer um prontuário médico falando no WhatsApp. Se a gente parar e pensar um pouco, esse mundo vai mudar em três anos, o que a gente tá vivendo hoje vai ter uma reformulação total.”
*Texto: Mônica Pedroso
*Foto: divulgação/Esfera