A ocupação máxima da hotelaria sergipana no último fim de semana, impulsionada pelo feriado de Finados e pela Maratona de Aracaju, reacendeu o debate sobre a importância dos eventos para a economia do estado. Para a deputada federal Yandra Moura (União-SE), eles são uma engrenagem do turismo brasileiro.
Reeleita para a Câmara dos Deputados, a parlamentar campeã de votos em Sergipe disse, nesta quarta-feira (4), que seguirá na defesa desse segmento e se colocou à disposição das entidades para ampliar o diálogo no Congresso Nacional e com o governo federal. “Em setembro, as vendas de bares e restaurantes cresceram 20,6% em Sergipe, a terceira maior alta entre os 24 estados analisados pelo Índice Abrasel-Stone. Por trás desse número estão o garçom, o músico, o técnico de som e a recepcionista do hotel”, explicou.
Ações
Ao longo do atual mandato, Yandra atuou na intermediação dos R$ 51,1 milhões do Novo Fundo Geral do Turismo (Fungetur) que o estado recebeu em 2024, por meio do Banese (Banco do Estado de Sergipe). Ao anunciar parte do aporte, em dezembro daquele ano, a deputada disse que o recurso iria “abrir novas oportunidades para ampliar o turismo no estado, gerando emprego e renda”. Dito e feito. Em 2025, de acordo com um levantamento da FecomercioSP com a Fecomércio Sergipe, o turismo regional faturou R$ 744 milhões, um recorde para o setor.
Em 2024, a deputada também integrou a lista de parlamentares que apoiaram o Manifesto em Defesa do Perse, o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos criado em 2021 para compensar as perdas da pandemia, que foi reformulado três anos depois pelo Congresso Nacional. O Manifesto foi uma mobilização da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e de entidades do turismo e dos eventos.
Números nacionais
No Brasil, o consumo ligado a eventos, cultura e recreação alcançou R$ 102,6 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, alta de 7,4% sobre o mesmo período de 2025 e maior valor da série histórica, segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (Abrape). A entidade estima que o setor movimente cerca de R$ 153 bilhões até dezembro. Em julho, a cadeia ligada aos eventos somava 4,37 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
“Só até agosto, a cadeia dos eventos abriu 105,5 mil vagas formais em atividades como hospedagem, alimentação e turismo. Quando o Brasil parou durante a pandemia, esse setor foi um dos primeiros a fechar as portas. Hoje, enche hotéis, bares e restaurantes”, disse Yandra.
Os restaurantes estão entre as atividades que mais movimentam receita com visitantes. Bares e restaurantes reúnem mais de 1,5 milhão de estabelecimentos e cerca de 5 milhões de trabalhadores, o que corresponde a 7,9% dos postos de trabalho do país, de acordo com a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). A entidade projeta faturamento de R$ 540 bilhões em 2026, ante R$ 495 bilhões em 2025. O Índice Abrasel-Stone aponta alta de 9,9% nas vendas do setor no terceiro trimestre, na comparação anual.
O crescimento nas vendas convive com margens apertadas. Segundo a Abrasel, 42% dos negócios operaram com lucro em julho, e 20% tiveram prejuízo.